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Morte e vida severina: Quando o Design Social Deságua na Cultura


Arte desenvolvida pela LM


Autores:

Lucas Fúrio Melara e Ana Beatriz Pereira de Andrade (*)


Artigo original publicado no Congreso de Enseñanza del Diseño em Buenos Aires


Resumo:

O presente artigo parte do relato de experiência de desenvolvimento de projeto em Design Social como ferramenta de impulsionamento cultural com recorte na cidade de Bauru, interior do Estado de São Paulo. Através dos diálogos entre Branding, Design Social, Design Editorial, Moda e Arte, com a obra “Morte e Vida Severina”, poema de João Cabral de Melo Neto interpretado através de performance de ballet contemporâneo. A coreografia “Morte e Vida Severina” faz uma releitura dos aspectos apresentados pelo notável poema, como a persistência e renovação da vida durante a performance, utilizando os corpos como elemento para a narrativa desta história.

Palavras chave: Design Contemporâneo – Design Social – Moda – Arte – Ballet

1.  Introdução

O presente artigo parte de experiência prática em desenvolvimento de projeto de Design que integra os diálogos entre Branding, Design Social, Design Editorial, Moda e Arte, enquanto ferramenta para impulsionamento do impacto da cultura local. O recorte da pesquisa se dá na cidade de Bauru, localizada no interior do Estado de São Paulo. O

objetivo foi do desenvolvimento de projeto multidisciplinar para integrar performance de ballet contemporâneo baseado no poema “Morte e Vida Severina”, clássico literário brasileiro de autoria de João Cabral de Melo Neto, apresentada pela Companhia Estável de Dança de Bauru.

2. Valores e Princípios

O projeto parte de estudos com base no trabalho de Gui Bonsiepe, bem como Ézio Manzini, e Victor Margolin, compreendendo e discutindo sobre os aspectos do Design

Social e do Design para a Sustentabilidade. As discussões sociais e produtivas geram desdobramentos reflexivos presentes no design contemporâneo. Com os paradigmas emergentes oriundos de crises múltiplas nas mais diferentes esferas, como econômica, política e social, fomentados por um cenário de hiper individualismo, economia globalizada e guerras diversas, contrastados com novos modos criativos e comunitários para a reso-

lução de problemas, a inovação social se apresenta como ferramenta para criação e fomento de uma nova cultura de sociedades sustentáveis.


3. Desenvolvimento

O projeto iniciou-se através de reunião organizada entre a produção para definição conjunta dos objetivos através do levantamento das necessidades da organização, que deveriam ser solucionadas através de sua nova performance. Em sequência, foram mapeados na produção os espaços possíveis para atuação da prática projetual, apontando

a marca, criação de peças gráficas de divulgação digital, peças gráficas impressas para divulgação e popularização da performance, confecção de figurinos e cenografia,

ambientação e documentação.


4. Resultados

A coreografia “Morte e Vida Severina”, teve sua estreia oficial em 08/09/2019, comemorando os oito anos da Companhia Estável de Dança, organizada pelo coorde nador Sivaldo Camargo, entrelaçando em seu desenvolvimento os diálogos de codesign nos aspectos do design social, moda, arte e gráfico-editorial. A coreografia é inspirada no poema dramático homônimo “Morte e Vida Severina”, do pernambucano João Cabral de Melo Neto, publicado em 1955. A coreografia faz uma releitura dos aspectos fundamentais apresentados pelo poema, como a persistência e renovação da vida, colocando os dançari-

nos e espectadores como Severinos durante a performance, utilizando os corpos como elemento para a narrativa.


5. Referências

Heller, S.; Vienne, V. (Org.). (2003). Ctizen Designer: Perspectives on Design Responsibility. Nova York: Allworth Press.

Melo Neto, J. C. (1996). Morte e vida Severina: e outros poemas para vozes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Latour, B. (2005).

Reagregrando o Social: Uma Introdução à teoria do Ator-Rede. Oxford: Oxford University Press. Manzini, E. (2015).

Design: When Everybody Designs. An Introduction to Design for Social Innovation. Londres: The MIT Press.

Margolin, V. (2006). O Designer Cidadão. Revista Design em Foco, 2 (2) 145150.

Melara, L.; Pereira de Andrade, A; Franco Mathias, A. (2019). Velhas Lembranças, Memórias de Vida . Rio de Janeiro: Editora Autografia. Papanek, V. (1972).

Design for the real world: Human Ecology and Social Change. Nova Iorque: Pantheon Books.


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