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3 Perguntas: Rebeca Costa - O nanismo é só um detalhe


Rebeca Costa, formada em Direito pela Unisalle, Digital Influencer, Modelo e Idealizadora do proejto LookLittle.

Empresária, Palestrante e Influencer, Rebeca Costa é formada em direito e idealizadora do LookLittle, um projeto que consiste em desmistificar a deficiência, que no seu caso é a acondroplasia, de uma maneira real e positiva, por meio das redes sociais.


Diante de um universo expressamente voltado para a implementação de estereótipos deturpados e excludentes, a carioca de vinte e nove anos busca promover a representatividade no mundo da moda, auxiliando seus seguidores na desconstrução dos padrões de beleza propagados em grande escala pelos meios de comunicação e incentivando-os a acreditarem em seus próprios gostos e ideais.


Assim, a LookLittle atua no processo de inspirar principalmente os indivíduos que possuem alguma deficiência e também acabam se tornando exclusivos perante a estes ideais impostos.“A gente tem um grande papel, de determinar e mostrar a verdadeira obra de arte que nós somos. Colocar tudo de bom que a gente tem em evidência. Não esquecer que o nanismo ou qualquer outra deficiência é apenas um detalhe”, afirma Rebeca.


Além disso, o seu projeto oferece consultorias e palestras, atuando em prol da diversidade para modificar as informações equivocadas e pretextos precários existentes na própria sociedade e nos meios midiáticos.


Com mais de cem mil seguidores no seu perfil do Instagram, Rebeca dissemina autoestima, moda e ativismo para o seu diverso público. Em entrevista para LM, ela conta sobre seus propósitos com a marca, as dificuldades que pessoas que possuem deficiência encontram no mundo da moda, e muito mais:


LM: Qual é o propósito da marca Look Little e de que forma você acredita que pode transformar a vida das pessoas que também possuem nanismo?

RC: O look Little tem o propósito de trazer a deficiência que no meu caso é o Nanismo, de uma maneira positiva para as pessoas, uma vez que é tratado pela sociedade de forma vitimista e pejorativa em todos os sentidos. Então, eu tento trazer a minha vivência real, não só para as pessoas que tem nanismo entenderem que também são capazes e se reconhecer sendo elas mesmas, mas para a própria sociedade e a mídia saírem totalmente deste contexto equivocado.


LM: Dentro do setor criativo da moda, quais foram as dificuldades que você encontrou durante o caminho para se incluir nesse âmbito?

RC: Se fala muito hoje sobre a moda inclusiva, quando na verdade mesmo dentro da moda inclusiva também somos exclusivos para corpos que possuem deficiência mas com exclusividade de um tipo só. O nanismo, por exemplo, tem mais de quatrocentos tipos e até existem pessoas que apostam em moda para indivíduos com acondroplasia que é o meu caso, mas ainda não enxergo isso como uma totalidade já que pessoas que possuem os inúmeros outros tipos continuam sem acesso Então, creio e sonho com uma moda diversa e liberta, com a liberdade de podermos escolher o que queremos vestir sem precisar de uma exclusividade dentro de algo inclusivo.


LM: De que forma a Look Little encontrou espaço para auxiliar perante às dificuldades de acessibilidade encontradas no Brasil?

RC: O Look Little se tornou aliado, pelas políticas públicas e com muito trabalho, pois há muita procura através de pessoas que estão disponíveis para nos ouvir. Não só políticos, mas pessoas que estão verdadeiramente dispostas a serem essa expansão de informação sobre o nanismo e que buscam colocar as ações em prática, pois muito se fala mas pouco é praticado. Então, referente à acessibilidade, eu sempre busco mostrar para as pessoas que os nossos direitos são diferentes de quem tem mobilidade reduzida. Nós também temos baixa estatura e membros curtos. Por isso, tem que estudar muito para colocar a acessibilidade para pessoas com nanismo em prática.


Através de seu projeto, Rebeca demonstra a necessidade de propagar um olhar distinto ao proposto pelos estereótipos e padrões de beleza normalmente intangíveis. A moda inclusiva, que apresenta o intuito de promover mudanças necessárias para que o simples direito de vestir seja acessível a todos os corpos, é a base de sua agenda de transformação. Assim, a criatividade se mostra presente na elaboração de adaptações, como transformar vestuários comuns em looks para pessoas com baixa estatura, e muitos outros processos propostos pela fundadora.


Seja na moda ou em relação à necessidade de incluir políticas públicas de acessibilidade, como explica Rebeca no decorrer da entrevista, o projeto se apresenta como indispensável para a promoção da diversidade e empoderamento perante às imposições sociais. Quer saber mais sobre a entrevistada? Acompanhe-a no instagram: @Looklittle!


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